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Água, o ouro líquido.

     Nas próximas décadas, o produto mais cobiçado deixará de ser o petróleo para se tornar a água doce potável. O mundo apresenta um crescimento demográfico sem precedentes e, aliado a isso, uma necessidade de recursos naturais – dentre eles o hídrico – muito grande.
     Para piorar, muitos rios e lagos estão próximos de desaparecer devido à má utilização de seus potenciais pelo homem. Um exemplo disso é o mar de Aral, na Ásia Central, que até a década de 60 era o quarto maior lago do mundo, com 68 mil km². Com o uso descontrolado de seus recursos naturais caracterizado pelo desvio de seus principais afluentes para irrigar plantações em áreas desérticas, o mar de Aral, atualmente, possui apenas 10% de seu tamanho original e está próximo de desaparecer por completo.
     Mesmo com a crescente demanda por água doce, ainda há o suficiente para toda a população mundial. Entretanto, a maior parte desta água – algo em torno de 99% - ou está congelada nas calotas polares ou se encontra em aquíferos subterrâneos. Dentre estes está o Aquífero Gauarani, um dos maiores do mundo e que se estende sob a parte centro-sul do Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai. Com um volume de aproximadamente 55 mil km³ e profundidade máxima por volta de 1 800 metros, estudos mostram que esta vasta reserva subterrânea pode fornecer água potável ao mundo por duzentos anos.
     Com a crescente preocupação com a escassez de água doce nas próximas décadas, tanto o Guarani como outros aquíferos no Brasil – Alter do Chão, sob o Norte do país – e em outros países do globo, já começam a ser alvo de pressões políticas e econômicas quanto ao direito de utilização de seus recursos. Ao que tudo indica, a vida tumultuada observada em países com grandes reservas de petróleo tende a se repetir com os países possuidores de vastas reservas de água doce. Mais precioso que o ouro negro – petróleo - e o próprio ouro original – o dourado -, será o ouro líquido e transparente: a água doce.